Família. Tradição. Memórias. Amor.
Sou Algarvia. E isso não se muda.
Mudei-me para Lisboa aos 18 anos. Hoje, 30 anos depois, vivo em Almada, na Sobreda — mas há uma parte de mim que nunca saiu do Algarve. É a parte que se sente em casa com as mãos na terra, com o cheiro de fruta madura ao sol e com uma família toda à volta da mesma mesa.
A Quinta da Algarvia nasceu daí. Não de um plano de negócios, mas de uma vida inteira a ver a agricultura acontecer — com trabalho, com esforço, e sobretudo, com muita coragem.
O legado da avó Maria
Cresci numa família de empreendedores, dos dois lados. Do lado da minha mãe, aprendi a arte do “negócio” desde pequena, na mercearia da minha avó Maria — uma matriarca que já partiu, mas cujo legado ainda hoje atravessa quatro gerações. Coragem. Mente aberta para nos ajustarmos a um mundo em constante mudança. E aquela energia de arregaçar as mangas, com uma inquietude que nos define a todas — até à trisneta Diana, que a transpira sem nunca a ter conhecido.
Do lado do meu pai, a história é feita da mesma matéria: uma família que se construiu do nada, que emigrou, que empreendeu. A nossa matriarca paterna continua connosco, com 91 anos, e o seu legado serve já três gerações seguintes.
Duas famílias humildes, mas ambiciosas. Trabalhadoras. A construir, a criar, a prover pelos seus.
“Estudei à custa dos nabos”
O meu pai produziu, durante anos, nabos — vendidos aos molhos de doze, para os mercados abastecedores da região de Faro. Foi assim, com o segundo emprego dos meus pais na agricultura, que eu, em Lisboa, e o meu irmão, em Coimbra, conseguimos estudar e começar as nossas vidas.
Costumo dizer que me formei “a cabeças de nabo”. E digo-o com orgulho.
Uma reflexão, aos 40 anos
Por volta dos meus 40, parei para pensar na minha essência e nas minhas motivações reais. E o que sobressaiu, sem hesitação, foi isto: família, o privilégio de ter várias gerações juntas, amigos, e agricultura.
Foi assim que, com o meu marido, comprei a pequena quinta onde vivo há 9 anos. Não foi um investimento. Foi — e é — a minha psicologia. O tempo pára simplesmente ao andar descalça na terra, a cuidar e a ver a agricultura crescer, todos os dias.
A verdadeira razão deste projeto
Há cerca de três anos, entrou uma nova variável nesta história — e acredito que é o verdadeiro motivo por trás deste projeto.
O meu sogro, hoje com 87 anos, deixou o seu emprego e o seu restaurante em Sintra, onde foi chefe de cozinha a vida toda. Na verdade, não foi ele que escolheu sair — fomos nós que o fomos buscar. A idade e o esforço já pesavam demasiado, e a sua esposa começava a precisar de companhia constante.
Quando decidimos, em família, que ele deixaria o restaurante, sabíamos de uma coisa: era preciso dar-lhe um propósito. Para ele, parar seria morrer. E lembrámo-nos de como, durante a pandemia, quando tudo parou, foi na agricultura que ele encontrou gosto e felicidade. Decidimos, então, “dar-lhe” a missão de trabalhar a terra na quinta.
Um projeto de quatro gerações
Este é, por inteiro, um projeto de família. Disse-lhe, várias vezes, que iríamos aproveitar os excessos da produção para fazer doces e compotas — e assim ajudar a sustentar os custos da quinta. Desde então, temos vindo a afinar as nossas receitas, feitas sobretudo com os excedentes de figo “pingo de mel”, pera rocha, ameixa e tomate.
Esta fotografia é do Dia da Mãe de 2026, com a visita da minha mãe e da minha avó à quinta. Quatro gerações, no mesmo lugar, a fazer o que sempre fizemos juntas: cozinhar, rir, e continuar uma tradição que já não se explica — vive-se.
Os nossos produtos, hoje
Fazemos doces e compotas caseiros, biológicos, com um toque bem algarvio. O medronho, a erva-doce, a canela e a amêndoa são ingredientes fundamentais para aquele sabor especial — o sabor de casa.
- Doce de Figo “Pingo de Mel”
- Doce de Pêra Rocha
- Doce de Ameixa
- Doce de Tomate
Cada frasco carrega o excesso generoso da nossa colheita e o cuidado de quem o fez com as próprias mãos.
Feito com o que a terra nos dá a mais
Não produzimos para vender primeiro e sobrar depois. É ao contrário: é o excesso da nossa própria produção biológica que se transforma, com paciência e receita de família, em doce.
Porque continuamos?
Porque parar é morrer, e continuar é viver. Porque a coragem e a inquietude da avó Maria continuam a correr nas nossas veias, geração após geração. Porque há um propósito bonito em dar as mãos à terra — e à família.
A Quinta da Algarvia é isso: um pouco de Algarve, plantado em Almada, a alimentar quatro gerações de história.
Prove a nossa história
Cada frasco é feito à mão, em pequenas quantidades, com fruta da nossa terra e o sabor de sempre.
Ingredientes e Nutrientes dos Nossos Produtos
Doce de Tomate Rosa
Ingredientes
1,5 kg de tomate maduro e carnudo, pelado e sem sementes; 550 g de açúcar branco; 3 colheres de sopa de mel de urze; 1 laranja algarvia — só a casca, em tiras largas; Sumo de 1 limão; 2 paus de canela; 3 cravinhos; 80 g de amêndoa laminada, torrada; 2 colheres de sopa de medronho (aguardente de medronho); 1 pitada de flor de sal.